8.28.2008
nietzsche, o homem que morreu por amor.
falo-vos de nietzsche o homem e não o filósofo, muito têm escrito sobre o filósofo que matou Deus e criou o super-homem, muito têm escrito sobre o filósofo que afastou o Homem da metafísica e do inatingível, mas como podem afirmar conhecer o filósofo sem procurarem o homem que o habitava?
falo-vos do homem que compôs a música “reminiscências de uma noite em são silvestre” para cosima, a esposa de wagner. falo-vos do homem que mais tarde se encantou por lou salomé, o homem tímido que se escondia por detrás de um bigode farfalhudo e que, com medo de ser rejeitado, pediu ao seu amigo rée que pedisse lou salomé em casamento por ele, mas rée também tinha caído nas teias da poeta russa. falo-vos do homem que se ajoelhou de fronte de lou salomé enquanto perguntava “de que estrela caímos nós para nos encontrarmos aqui?”. falo-vos do friedrich nietzsche que chorou quando em 1849 viu morrer o pai ainda jovem.
nietzsche, o filósofo que procurava aniquilar o idealismo e a metafísica humana vincados num certo platonismo, acabava assim de enveredar pelos meandros do amor platónico, o filósofo que se colocava sempre numa situação hierarquicamente superior acabava de se prostrar perante um sentimento maior, o amor. nietzsche o homem acabaria por matar, numa das suas tentativas de suicídio, nietzsche o filósofo, como se fosse possível desfazer-se de si próprio por sua vontade.
e mais uma vez o amor triunfa, na verdade Nietzsche confirmou o que ele próprio dizia, “há sempre alguma loucura no amor mas também sempre alguma razão na loucura”, a razão filosófica que acarreta o aforismo nietzschiano, a arte de interpretar e a coisa a ser interpretada, levou-o à loucura de tentar interpretar o único sentimento que não tem interpretação possível, o amor.
termino com as palavras do senhor que levou Deus a julgamento no tribunal dos homens e que se tornam uma chave de boas-vindas aos meus escritos metódicos, para o bom entendedor: “agora que me descobriste, cabe-te a parte mais difícil; esquecer-me, distanciares-te de mim.”.
5 comentários:
De que estrela caímos nós para nos encontrarmos aqui?
acho que vou ler nietzsche, acho mesmo..e também acho que vou pass(e)ar por aqui mais vezes,
mafalda
o amor? esse triunfa sempre. acima de tudo! *
'[...] levou-o à loucura de tentar interpretar o único sentimento que não tem interpretação possível, o amor.' O amor envolve muitas coisas.. tais como gestos.. atitudes.. decisões.. e tudo isso pode ser interpretado, bem ou mal mas pode. Então não poderá ser o amor alvo de uma possivel interpretaçao? Nem que seja algo de apenas um momento.. algo muito superficial.. nao deixa de ser uma interpretaçao. (decidi destacar esta parte do texto) Como sempre o teu tslento está em grande evidência. Continua Mar.
“há sempre alguma loucura no amor mas também sempre alguma razão na loucura”
Loucuras dão outro sentido a vida,tal como o amor.Acho que se encaixavam um no outro :) Bom texto mar*
não tenho grande jeito para comentar... nem sou ninguém para te dizer que está fantástico... mas posso dizer, que na minha humilde e sincera opinião... eu amei... um beijo
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