10.13.2008

rui nunes, em queda livre sobre a solidão.






rui nunes

escritor português
nascido em 1947.

" Nunca se escapa da pátria, das muitas pátrias que há: da
pátria que é a língua, da pátria que é a terra, da pátria que
é a família, da pátria que é o passado.
"




rui nunes é, de entre todos os escritores portugueses da actualidade, o meu preferido. rui nunes é o rei dos espaços e das personagens, dos sentimentos figurados por entre linhas onde nasce vida ou morte, até porque a morte é uma súbtil forma de nos sentirmos vivos, dentro e fora de nós mesmos, ateados por um fogo qualquer que de dentro nos mata da cabeça aos pés ou dos pés à cabeça já que o mundo se vira ao avesso. rui nunes é um exemplo vivo deste avesso, o contrário prescrito por uma temática forte em essência e existência. a sua prosa é um caudal de pedaços de histórias que vestem o corpo de pesadelos, pesadelos que lhe pertencem mas que prefere ignorar; a sua poesia não mata mas mói, come a carne toda até ao osso, dói nas dobras do corpo que estático ainda inventa outros caminhos por onde ir, onde morrer.
a escrita de rui nunes é um encontro com a nossa própria solidão, uma aprendizagem, um auto-conhecimento a cada palavra, sem medo, sem nada, apenas com o desespero a coçar as pontas dos dedos e a ferver na testa. é a distância atrás da voz, o cesto vazio à porta da casa, um pedaço de trigo a apodrecer na praça até que um pombo o leve no bico.
da pessoa rui nunes pouco se sabe e do pouco que se sabe nada se diz, ainda bem que assim é porque ser conhecido não é, por certo, o seu passatempo favorito, já do escritor muito fica por dizer e o reconhecimento é tardio como o pecado de ser consagrado neste país, título que chega aos justos apenas com a morte.


1 comentário:

bruno vilar disse...

O mundo da Arte sempre foi - ou é geralmente- necrófago. Os puros são
reconhecidos,considerados,amados tardia ou postumamente.
O Rui é leitor de Kafka,
uma estrela que brilhou
já depois de morta.

Beijo do teu leitor,admirador
e amigo, Bruno