eras amália e os teus olhos enchiam-se de lágrimas a cada fado. sorrias, corrias com as mãos presas a um microfone. um dia amália, menina, a tua vida não foi estranha, foi um coração desapertado, aberto em ferida, uma canção em barco negro sobre o mar. mas amália, longe ou perto, estarás cheia como a maré de hoje, tempo frio, um pouco incerto, perdido entre a seda do teu xaile. não chores amália, sorri. sorri as tuas mãos abertas na voz rasgada, rouca, morta entre a fita das cassetes ou o suor dos cd's, ou, ainda, entre o negro dos discos de vinil. e eu choro contigo, ainda que de longe não me sintas as lágrimas, choro a ouvir-te cantar alguns fados travados de memórias, gastas como os teus passos, por todo o lado, a inventar novos rumos, outros jeitos de ser português. foste feliz amália, entre a cor dos teus olhos triste, de manhã, e a tua voz cansada, ao fim do dia. foste feliz como eu sou ao ouvir-te rasgar a tinta das paredes, comer-me a casa aflicta entre os dedos das tuas mãos.
11.30.2008
amália, na voz que nunca doeu.
eras amália e os teus olhos enchiam-se de lágrimas a cada fado. sorrias, corrias com as mãos presas a um microfone. um dia amália, menina, a tua vida não foi estranha, foi um coração desapertado, aberto em ferida, uma canção em barco negro sobre o mar. mas amália, longe ou perto, estarás cheia como a maré de hoje, tempo frio, um pouco incerto, perdido entre a seda do teu xaile. não chores amália, sorri. sorri as tuas mãos abertas na voz rasgada, rouca, morta entre a fita das cassetes ou o suor dos cd's, ou, ainda, entre o negro dos discos de vinil. e eu choro contigo, ainda que de longe não me sintas as lágrimas, choro a ouvir-te cantar alguns fados travados de memórias, gastas como os teus passos, por todo o lado, a inventar novos rumos, outros jeitos de ser português. foste feliz amália, entre a cor dos teus olhos triste, de manhã, e a tua voz cansada, ao fim do dia. foste feliz como eu sou ao ouvir-te rasgar a tinta das paredes, comer-me a casa aflicta entre os dedos das tuas mãos.

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