2006
alejandro gonzález iñárritu
alejandro gonzález iñárritu
babel é o suícido trágico, não intencional, de muitos destinos, é um serrar de emoções que, se a princípio nos parecem pela metade, depois contornam a nossa personalidade para se alojarem no mais íntimo de nós. desde o atentado, que não é atentado, à fuga policial que não é fuga, à morte não consumada. babel está rodeado de preceitos trágicos, alguns de especial importância outros nem tanto mas todos ligados, de tal modo, que se torna difícil não seguir o rumo da história ainda que em tempos diferentes. a surda/muda ao entrar na discoteca não sentirá o mesmo que a criança perdida no meio do deserto? o homem que vê a mulher ser atingida por uma bala, que não se sabe de onde veio, não sentirá o mesmo que a criança quando vê o seu irmão ser morto a tiro pela polícia? o rosto mais marcante talvez seja o da mulher mexicana, a velha mulher, a correr deserto fora à procura de ajuda, com o sol a escorrer-lhe da testa. há filmes que nos trazem vida outros que nos trazem morte, babel traz-nos a travessia, a linha ténue que os separa. os espaços e tempos diferentes dão ritmo à acção, chegam, por vezes, a ser elementos contrutivos importantes no pós suícidio de destinos. em babel encontramo-nos de frente com a vida e ela parece-nos uma pintura abstracta.

1 comentário:
Gostei imenso da análise, sobretudo da frase do remate final.
Beijo
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